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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

A oração de Jesus

Sexta-feira, 28 de outubro de 2016

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 44 de 03 de novembro de 2016

Jesus continua a rezar por cada homem: é este «o fundamento da Igreja» e também a chave para compreender a missão e o mistério, afirmou Francisco.

«O que é a Igreja?»: precisamente a esta pergunta respondem «as duas leituras da liturgia da palavra de hoje» que «são um anúncio, também uma catequese sobre a Igreja», explicou o Papa referindo-se à carta aos Efésios (2, 19-22) e ao trecho evangélico de Lucas (6, 12-19). Com efeito «Paulo faz-nos compreender que somos concidadãos dos santos — a Igreja dá-nos esta cidadania — e que todos estamos numa construção bem organizada por sermos templo santo do Senhor: edificados juntos sobre o fundamento dos apóstolos, dos profetas; e a pedra angular, é o próprio Jesus». Ele «é o fundamento da Igreja», recorda Paulo.

«No Evangelho de Lucas — prosseguiu o Pontífice — vimos a Igreja em atividade, em ação: Jesus que reza, que escolhe os apóstolos, que dá o nome a cada um, que cura a alma e o corpo e que está entre os discípulos, e também toda aquela multidão que procurava tocá-lo, porque dele saía uma força que curava todos». Precisamente «isto é a Igreja, o que Paulo nos ensina é ela em ação». O apóstolo afirma que «a pedra angular é o próprio Jesus»; e com efeito «sem Jesus não há Igreja: ele é o fundamento da Igreja».

Francisco fez notar que «o Evangelho começa com uma coisa que nos faz refletir: “Jesus retirou-se para o monte para rezar e passou toda a noite rezando a Deus”». E «depois vem o resto: o povo, a escolha dos discípulos, as curas, afasta os demónios». Portanto «a pedra angular é Jesus, sim: mas Jesus que reza». E «Jesus reza: rezou e continua a rezar pela Igreja». Por conseguinte «a pedra angular da Igreja é o Senhor diante do Pai que intercede por nós, que reza por nós: nós rezamos a ele, mas o fundamento é ele que reza por nós».

«Jesus sempre rezou pelos seus», afirmou o Pontífice. «Na última ceia — recordou — rezou pelos discípulos e pediu ao Pai: “Reserva-os na verdade, acompanha-os e não reza só por eles, mas também por quantos hão de vir”». Além disso, explicou o Papa, «Jesus reza antes de fazer algum milagre: pensemos na ressurreição de Lázaro» quando «reza ao Pai: “Obrigado, Pai”».

Também «no monte das Oliveiras Jesus reza; na cruz, reza até ao fim: a sua vida terminou em oração». E «esta é a nossa certeza, é o nosso fundamento, esta é a nossa pedra angular: Jesus que reza por nós, Jesus que reza por mim». Por isso «cada um de nós pode dizer: “Tenho a certeza de que Jesus reza por mim, está diante do Pai e nomeia-me”». Eis portanto «a pedra angular da Igreja: Jesus em oração».

Nesta perspetiva Francisco voltou a propor o trecho evangélico, «antes da Paixão, quando Jesus se dirige a Pedro com aquela advertência que é como o eco do primeiro capítulo do livro de Job: “Pedro, Pedro, Satanás obteve a autorização para vos joeirar como o trigo, mas eu rezei por ti, para que a tua fé nunca esmoreça». E «é bom» pensar — afirmou o Papa — que as palavras que Jesus diz a Pedro «as diz a todos nós: “Eu rezei por ti, eu rezo por ti, e agora estou a rezar por ti”». E «quando vem ao altar, ele vem para interceder, para rezar por nós, como na cruz». Isto «dá-nos uma grande segurança: eu pertenço a esta comunidade, que está firme por ter Jesus como pedra angular, Jesus que reza por todos nós».

Em conclusão, Francisco convidou a «refletir sobre este mistério da Igreja: somos todos como uma construção, mas o fundamento é Jesus, é Jesus que reza por nós, é Jesus que reza por mim».

 



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